| | GT: | 23 | | Grupo de Trabajo : | Transformações sociais e projetos políticos em concorrência na América Latina: “mundo rural” em questão | | Coordenadores: | Delma Pessanha Neves Hugo Ratier Dalva Mota | | Instituciones: | Univ. Federal Fluminense Universidade de Buenos Aires
| | Paises: | Brasil Argentina | | Resumen: | O GT visa aprofundar a reflexão sobre processos significativos que revelam o sistema de relações correspondentes a diferentes projetos em disputa e que envolvem: movimentos sociais e reconhecimento de direitos; projetos de construção institucionalizada da agricultura familiar e do campesinato; o modelo produtivista e seus paradoxos; os agentes de representação e seus investimentos no sentido de obter mudanças de condições de vida e integração institucional; modos de valorização da tradição e redefinição de formas de organização da produção, tais como sistemas agroflorestais, agricultura orgânica etc; “campesinato” ou “populações tradicionais” dentro de unidades de conservação; reforma agrária e reconstrução do campesinato. O Gt dá prosseguimento a investimentos consolidados por pesquisadores no quadro dos últimos dois encontros da ANPOCS (2008-2009), agora ampliado pela agregação de tantos outros que refletem tais questões em países latinoamericanos. | | Descripcion detallada: | Os processos de transformações por que vêm passando as sociedades na América Latina nos últimos anos, têm colocado em questão a rigidez da separação/contraposição entre rural e urbano. Não se trata de dizer que o “rural não mais existe”, simplificação comumemnte apresentada para, supostamente, resolver a velha subdivisão constitutiva de várias segmentações sociais e políticas, inclusive acadêmicas. Trata-se, ao contrário, de compreender a necessidade de romper com a naturalização da categoria rural (e seus contrapostos na construção da polaridade). Importantes trabalhos recentes têm mostrado que as cidades cuja base de produção e comercialização é hegemonicamente agropecuária, são diferenciadas, não só em termos dos elementos que se articulam para sua reprodução econômica, como também pelo fato de que as formas de sociabilidade e de representação do mundo, os padrões de organização social e os modos de atuar politicamente têm muitos traços distintivos cuja análise não pode negá-los nessa especificidade. Por outro lado, cada vez mais é comum encontrar trabalhadores agrícolas que vivem nas periferias das pequenas cidades, combinando diferentes formas de trabalho (e esse é um modo de reprodução social que se revelou desde os anos 70), da mesma forma como cada vez mais é comum que pequenos e médios agricultores também morem nas cidades. No que se refere às grandes unidades produtivas, vinculadas à produção de commodities, destacam-se não são só estreitos vínculos com diferentes formas de capital, como a regulação da produção a partir de centros financeiros espacialmente distantes, mas que nem por isso deixam de ser definidores, como é o caso das bolsas de valores. Finalmente, a ampliação do acesso a uma série de bens de consumo, em especial a televisão e seus desdobramentos (aparelhos de dvd e todo sucesso da reprodução informal desses meios de comunicação), as motocicletas, carros de passeio, tem trazido para as populações em geral, o contato com padrões de vida e de consumo, estilos de vida e de comportamento nem sempre passíveis de distinções significativas. Todavia, em certos casos e relativa medida, os comportamentos diferenciados acabam produzindo um estranhamento em relação às próprias formas de os segmentos populacionais repensarem o mundo social e suas mudanças, mormente no que tange às diferenças de percepção entre gerações sociais. Propomos discutir, mediante valoração de situações empíricas e perspectivas teórico-metodológicas, que campo e cidade ou rural e urbano são categorias insuficientes para dar conta da complexidade dos processos em curso, cuja base ideológica e política, muitas vezes é gestada em espaços sociais que não levam em conta aquela subdivisão, salvo para intervir e definir os grupos sociais a serem atingidos ou redefinidos. Ao longo da construção desses processos, reinventa-se, por meios da ação política organizada, o campesinato; reativa-se, na luta por acesso à terra e direitos de cidadania, a tradição; produz-se um amálgama entre as lutas por terra e a questão ambiental, dando força aos argumentos preservacionistas; produz-se, a partir de organizações cujo "poder social" deriva da capacidade de falar em nome dos que lutam por acesso a terra, uma crítica ao que é apresentado como o caminho do crescimento econômico (como é o caso do uso das biotecnologias, a partir da manipulação genética, e dos biocombustíveis). Consideramos que olhar para esses processos permite que se refine e complexifique a análise, impondo a busca de novos diálogos teóricos e metodológicos, os quais permitam melhor perceber como é possível que essas ações surjam e se multipliquem, que opositores se constituam. Ao fim e ao cabo, pensar sobre processos subjacentes à disputa pela classificação e reclassificação dos grupos sociais, assim homogeneizados de uma forma, no mais das vezes, simplificadora. Nesse quadro aparentemente paradoxal, é fundamental que os pesquisadores façam um investimento reflexivo mais profundo, tentando pensar esses processos sob distinções e intercruzamentos, sob diálogo com as teorias sociais contemporâneas, buscando novas matrizes que permitam pensar o papel do Estado e das políticas públicas; visando compreender as formas como se verifica a construção da representação política, os processos sociais formais e informais de construção desses agentes; os caminhos pelos quais a tradição se valoriza, se re-significa e se reinventa; as demandas e utopias que vêm assim se configurando; as articulações reveladoras de contatos e alianças com os consumidores não só de produtos agrícolas, como de bens de natureza menos tangível (a preservação ambiental, a tranquilidade, enfim, uma série de elementos que produzem uma reinvenção de significados para a natureza), etc.
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