| | GT: | 19 | | Grupo de Trabajo : | Representação de Interesses Patronais Rurais e Agroindustriais na América Latina | | Coordenadores: | Regina L. Bruno Sonia Mendonça Noemi Girbal-Blacha
| | Instituciones: | Univ. Federal Rural do Rio de Janeiro Univ. Federal Fluminense/CNPq Univ.Nacional de Quilmes-Conicet
| | Paises: | Brasil Argentina | | Resumen: | Tomando como pressuposto que as sociedades latino-americanas -- herdeiras de padrões de desenvolvimento do capitalismo que levaram a que fossem caracterizadas como “dependentes”, “periféricas” ou mesmo “tardias”-- guardaram, desde o século XIX até o presente, profundas marcas derivadas do papel preponderante desempenhado pela agricultura em sua tessitura, considera-se como fundamental para a compreensão histórico-sociológica e antropológica de sua dinâmica, o estudo das modalidades específicas de representação dos interesses patronais rurais no decorrer deste processo histórico. Isto porque, se pretende focalizar não apenas as formas distintas por cujo intermédio os grupos dominantes agrários/agroindustriais viabilizaram a organização de suas demandas específicas destinadas a influírem nos rumos e definições das políticas públicas voltadas para o “agro”, como também o aspecto político-cultural dessas entidades organizacionais, no sentido da produção de projetos nacionais capazes de promover o consenso entre segmentos sociais dispares e quando não, profundamente antagônicos. Os reflexos dessa preponderância da agricultura devem, assim, ser apreendidos, para além da dinâmica estritamente econômica das formações sociais latino-americanas, no âmbito da política e da cultura, ambos produtores de identidades e mobilizações institucionais significativas no seio dos próprios grupos dominantes agrários que, longe de serem monolíticos e “pasteurizados”, guardaram uma dimensão de conflitividade que muitas vezes informou, tanto a definição-redefinição de políticas públicas voltadas ao “agro”, quanto a própria dinâmica das relações entre dominantes e dominados nos mais distintos contextos históricos. Afinal, não se acredita ser possível analisar as mobilizações dos segmentos camponeses e de trabalhadores rurais sem ter em perspectiva relacional necessária as formas de institucionalização dos setores patronais agrários e agroempresariais. Na perspectiva do GT ora proposto, a análise das instancias de representação dos interesses patronais rurais e agroempresariais na América Latina constitui-se em dimensão privilegiada para o entendimento de três processos simultâneos, comuns a todos os países do subcontinente: de um lado, a configuração das múltiplas formas de dominação gestadas /consolidadas no e a partir do espaço agrário, devida e diversamente institucionalizada de outro, a consolidação de uma “cultura política” dela derivada, responsável pela formulação de visões de mundo e de projetos supostamente nacionais distintos, capazes de materializar-se em instrumentos de construção da hegemonia por parte dos grupos dominantes agrários/agroempresariais, em permanente medição de forças; por fim, o próprio jogo político entre as diversas frações das classes dominantes agrárias latino-americanas, enquanto sujeitos coletivos organizados e em conflito pelo monopólio quer de postos estratégicos junto ao Estado restrito, de modo a nele inscrever interesses próprios, quer da fala legítima não apenas acerca do “agro”, mas também das grandes questões integrantes das agendas nacionais nos diversos contextos históricos contemplados. É a discussão e intercâmbio de experiências de pesquisa sobre as origens, dinâmica, projetos, estratégias e dessas entidades e seus respectivos segmentos representados o objetivo do GT Representação de Interesses Patronais Rurais e Agroindustriais na América Latina, que visa, ademais, ao enfoque comparativo do objeto, bem como à discussão de perspectivas políticas para o agro, no devir.
| | Descripcion detallada: | Tomando como pressuposto que as sociedades latino-americanas -- herdeiras de padrões de desenvolvimento do capitalismo que levaram a que fossem caracterizadas como “dependentes”, “periféricas” ou mesmo “tardias”-- guardaram, desde o século XIX até o presente, profundas marcas derivadas do papel preponderante desempenhado pela agricultura em sua tessitura, considera-se como fundamental para a compreensão histórico-sociológica e antropológica de sua dinâmica, o estudo das modalidades específicas de representação dos interesses patronais rurais no decorrer deste processo histórico. Isto porque, se pretende focalizar não apenas as formas distintas por cujo intermédio os grupos dominantes agrários/agroindustriais viabilizaram a organização de suas demandas específicas destinadas a influírem nos rumos e definições das políticas públicas voltadas para o “agro”, como também o aspecto político-cultural dessas entidades organizacionais, no sentido da produção de projetos nacionais capazes de promover o consenso entre segmentos sociais dispares e quando não, profundamente antagônicos. Os reflexos dessa preponderância da agricultura devem, assim, ser apreendidos, para além da dinâmica estritamente econômica das formações sociais latino-americanas, no âmbito da política e da cultura, ambos produtores de identidades e mobilizações institucionais significativas no seio dos próprios grupos dominantes agrários que, longe de serem monolíticos e “pasteurizados”, guardaram uma dimensão de conflitividade que muitas vezes informou, tanto a definição-redefinição de políticas públicas voltadas ao “agro”, quanto a própria dinâmica das relações entre dominantes e dominados nos mais distintos contextos históricos. Afinal, não se acredita ser possível analisar as mobilizações dos segmentos camponeses e de trabalhadores rurais sem ter em perspectiva relacional necessária as formas de institucionalização dos setores patronais agrários e agroempresariais. Na perspectiva do GT ora proposto, a análise das instancias de representação dos interesses patronais rurais e agroempresariais na América Latina constitui-se em dimensão privilegiada para o entendimento de três processos simultâneos, comuns a todos os países do subcontinente: de um lado, a configuração das múltiplas formas de dominação gestadas /consolidadas no e a partir do espaço agrário, devida e diversamente institucionalizada de outro, a consolidação de uma “cultura política” dela derivada, responsável pela formulação de visões de mundo e de projetos supostamente nacionais distintos, capazes de materializar-se em instrumentos de construção da hegemonia por parte dos grupos dominantes agrários/agroempresariais, em permanente medição de forças; por fim, o próprio jogo político entre as diversas frações das classes dominantes agrárias latino-americanas, enquanto sujeitos coletivos organizados e em conflito pelo monopólio quer de postos estratégicos junto ao Estado restrito, de modo a nele inscrever interesses próprios, quer da fala legítima não apenas acerca do “agro”, mas também das grandes questões integrantes das agendas nacionais nos diversos contextos históricos contemplados. É a discussão e intercâmbio de experiências de pesquisa sobre as origens, dinâmica, projetos, estratégias e dessas entidades e seus respectivos segmentos representados o objetivo do GT Representação de Interesses Patronais Rurais e Agroindustriais na América Latina, que visa, ademais, ao enfoque comparativo do objeto, bem como à discussão de perspectivas políticas para o agro, no devir.
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