VIII Congresso Latinoamericano de Sociologia Rural
América Latina: realineamientos políticos y proyectos en disputa
Recife,  Pernambuco - Brasil
15 a 19 de noviembre de 2010


Grupos de Trabajo
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GT:2
Grupo de Trabajo :Campesinato, agroecologia e processos educativos para o desenvolvimento local rural sustentável
Coordenadores:Paulo Cesar O. Diniz
Jesus A. Madera Pacheco
Graciela Ottmann
Mamen Cuéllar Padilla
Instituciones:Univ. Federal Rural de Pernambuco
Universidade Autônoma de Nayarit
Universidad Nacional de Rosário
Universidad de Córdoba
Paises:Brasil
Mexico
Argentina
Espanha
Resumen:Pretende-se socializar e refletir sobre os estudos que abordam a relação do campesinato com a perspectiva da agroecologia e seus (res)significados na América Latina. O papel político que esse ator social – campesinato – exerce atualmente no espaço latino-americano, bem como sua relação com o meio-ambiente e os processos sociais “solidários”. Além disso, avançar na conceituação desse campesinato, especialmente frente aos desafios do século XXI, levando-se em conta sua história de luta, resistência e formação de identidades e, ao mesmo tempo, os processos contemporâneos de formação, em sentido amplo, do campesinato com base na agroecologia.
Objetivos:
Refletir sobre as diferentes perspectivas que vem sendo trabalhadas sobre o campesinato na América Latina, no século XXI.
Discutir sobre os projetos sociais em disputa, especialmente o enfrentamento entre o projeto do agronegócio e da organização e economia campesina.
Analisar as (res)significações do campesinato frente às dimensões da solidariedade, do meio ambiente, do conhecimento tradicional, etc.
Socializar as histórias de luta e de resistências do campesinato frente à construção e/ou afirmação de sua identidade.
Descripcion detallada:Ao final do século XX, contatou-se a existência de uma ampla “crise” que se estendeu por diversos campos, desde o mundo financeiro e econômico, passando pelos campos das relações sociais e com o meio ambiente, bem como do conhecimento, etc. Para alguns, era uma crise do “modelo civilizatório” (Lef, 2001) , para outros uma “crise de percepções” (CAPRA, 1982) . Independentemente de como se defina essa crise, o século XXI, contudo, aponta para a emergência de uma diversidade de atores sociais e políticos que se realinham em “novos” projetos políticos e sociais, indicando um cenário de mudanças substanciais na América Latina. Mudanças estas nas concepções sobre a realidade e sobre as proposições para o desenvolvimento sustentável, expressando, assim, o que Santos (2001) vai chamar de “transições paradigmáticas”.
Dentre esses “sujeitos”, ganha destaque o campesinato e suas inúmeras e variadas organizações que, com suas práticas diversas, apontam para a construção de concepções e transições para padrões de desenvolvimento alternativos. Nesse sentido, a dimensão mediática assume um papel importante no encaminhamento das lutas dos “campesinos” no México; a dimensão política tem sido essencial para os camponeses bolivianos; a dimensão identitária para indígenas e negros latino-americanos que a (re)constroem a partir da demanda pelo direito sobre determinados territórios; a dimensão histórica de resistência de vários movimentos de “sem-terras” que lutam por processos amplos de reforma agrária no Brasil e em outros países. Nesse cenário, as dimensões do meio ambiente e dos processos educativos assumem uma centralidade fundamental em quaisquer projetos de desenvolvimento e se impõem como categorias indispensáveis a qualquer campo de estudo, lançando, portanto, um constante desafio aos estudiosos, no sentido de entender, sistematizar e explicar tais processos sociais.
Isto é, de diferentes e variadas formas, o campesinato mantém uma estreita relação (produtiva - cultural) com a natureza, seja pelos seus “tradicionais” conhecimentos, seja pelas práticas “experimentadas” através de processos de aprendizagens individual e coletiva em que estão inseridos. Nesse contexto, as práticas e “experimentalismos” das organizações camponesas colocam em evidência algumas temáticas, como por exemplo, a da soberania alimentar como uma importante estratégia de solidariedade e de reprodução social do campesinato e de sua força de trabalho familiar; o tema da agroecologia como uma nova abordagem para o conhecimento sobre o mundo rural na América Latina, em contraposição aos modelos “modernizantes da agricultura”; o tema da educação diferenciada, centrada na lógica camponesa e “do/no campo”, demandando uma nova relação entre “sociedade civil” e Estado. Enfim, é esse “experimentalismo” social e institucional que se coloca como central para o desenvolvimento local/rural sustentável, indicando-nos, assim, a necessidade de se repensar/redefinir o conceito de campesinato. Embora passos importantes estejam sendo dados em todo o mundo (PLOEG, 2008) , é preciso ir além das teorias sobre campesinato, tal como foram desenvolvidas durante grande parte dos séculos XIX e XX. Entende-se como fundamental a construção e desenvolvimento de perspectivas teóricas que comportem esses processos, uma vez que se reconhece que o campesinato permanecerá conosco sob muitas formas novas e inesperadas e que precisamos lidar com essa situação tanto na prática, como na teoria.
Nessa “descoberta” agregam-se os estudos de mais variadas tendências e de campos de conhecimentos que estudam e sistematizam estas novas - velhas realidades. É nesse sentido que se insere esse grupo de trabalho, propondo-se possibilitar a oportunidade para que diferentes pessoas que analisam, refletem, estudam e sistematizam os embates contemporâneos a partir de uma lógica camponesa possam discutir, interagir e socializar seus pensamentos e reflexões Espera-se, neste grupo, agregar estudiosos no debate travado no campo da produção, das relações com o Estado, da relação com a natureza, com a soberania alimentar, com processos educativos, com as relações de poder, com a guarda de sementes, com a construção coletiva do conhecimento, com a apropriação coletiva dos bens econômicos e culturais, com a história de resistência e de luta frente aos processos de “modernização agrícola”.
São esses debates, a partir de experiências prático-teóricas, por fim, que significam concepções alternativas nessa “arena” cheia de contradições e conflitos multidimensionais e multifacetados nos processos de realinhamento político na América Latina, no século XXI.

Referências
LEFF, E. 2001. Ecología y capital. 4 ed. México: Edición Siglo Veintiuno Editores
2 CAPRA, F. 1982. O Ponto de Mutação. São Paulo: Editora Cultrix
3 SANTOS, B. de S. 2001. Critica da razão indolente: Contra o desperdício da experiência: para um novo senso comum: a ciência, o direito e a política na transição paradigmática. 3. ed. São Paulo: Cortez Editora




H.de Barros

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